quinta-feira, 26 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA FORMAÇÃO SOCIAL DO INDIVÍDUO

1. O MUNDO DA LEITURA
A leitura é um conhecimento construído de experiências únicas? Um desejo de viver?
A leitura está relacionada não só a estes questionamentos, mas a inúmeros outros. O ato de ler é representado por meio da escrita, do som, da arte, dos cheiros.
Cada leitor possui uma experiência própria, cotidiana e pessoal, tornando a leitura única, incapaz de se repetir, e este é o seu grande encanto.
Através deste recurso fabuloso, conseguimos o total domínio da palavra, traçando idéias e conhecimentos, sendo possível entender o mundo que nos cerca, nos transformamos e, ao nos transformar, abrimos nossas mentes para o desconhecido, passando assim a construir um mundo melhor para cada um de nós.
Por meio da leitura resgatamos nossas lembranças mais especiais, que fazem parte da nossa cultura. Essa cultura que nos foi dada tem como finalidade a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus atos, porém essa cultura se dilui e se perde diariamente, e é este saber, esta cultura que precisa ser recuperada.
Podemos ressaltar que a leitura não se constitui em um ato solitário, nem em atividades individuais, o leitor é sempre parte de um grupo social, certamente carregará para esse grupo elementos de sua leitura, do mesmo modo que a leitura trará vivências oriundas do social, de sua experiência prévia e individual do mundo e da vida.
Ao ler um texto ou um livro, interagimos não propriamente com o texto, mas com os leitores virtuais, que são constituídos no próprio ato da escrita. O autor os cria em seus textos e o leitor real, lê o texto e dele se apropria. O texto passa assim a exercer uma mediação entre sujeitos, tendo a influência de estabelecer relações entre os leitores reais ou virtuais.
O conceito de leitura na maior parte das vezes está relacionado com a decifração dos códigos lingüísticos e sua aprendizagem. No entanto, não podemos deixar de levar em consideração o processo de formação social deste indivíduo, suas capacidades, sua cultura política e social.

Saber ler e escrever, já entre os gregos e romanos, significava possuir as bases de uma educação adequada para a vida, educação essa que visava não só ao desenvolvimento das capacidades intelectuais e espirituais, como das aptidões físicas, possibilitando ao cidadão integrar-se efetivamente a sociedade, no caso à classe dos senhores, dos homens livres.

Dentro de toda uma sociedade, de uma cultura, não podemos nos esquecer, que a peça fundamental de todo este processo, primeiramente, somos nós. Ler também faz parte de um contexto pessoal. Temos que valorizá-lo para podermos ir além. Além de tudo o que se pode simplesmente ler, ir até onde nossa imaginação possa ser capaz de nos levar.
Sartre, em seu relato autobiográfico, mostra uma perspectiva mais realista, porém não menos interessante sobre a inicialização da leitura, em que nos mostra que ler está além das letras impressas no papel. Em sua obra nos fala como foram suas primeiras experiências com a leitura, sendo o seu primeiro livro intitulado: “Tribulações de um chinês na China”.

[...] transportei-me para um quarto de despejo; aí, empoleirado sobre uma cama de armar, fiz de conta que estava lendo: seguia com os olhos as linhas negras sem saltar uma única e me contava a história em voz alta, tomando o cuidado de pronunciar todas as sílabas (...) fiz com que me surpreendessem _, gritaram admirados e decidiram que era tempo de me ensinar o alfabeto. Fui zeloso como catecúmeno; ia a ponto de dar a mim mesmo aulas particulares; eu montava na minha cama de armar com o Sem família de Hector Malot, que conhecia de cor e, em parte recitando, em parte decifrando, percorri-lhe todas as páginas, uma após outra: quando a última foi virada, eu sabia ler.4 (p.15) ”

O simples ato de ler passou a ser uma fantástica aventura, onde as barreiras do mundo não passavam de meras casualidades para ele. Sartre passou a enxergar os livros, o ato de ler, com outros olhos, mostrando-nos que a leitura vai além de todas as nossas perspectivas, se nos deixarmos envolver por ela. A curiosidade passa a ser a necessidade de alimentar o imaginário, desvendar os segredos do mundo e dar ao leitor o conhecimento de si mesmo através da maneira que lê e encara o mundo. Dá-nos a impressão de o mundo estar ao nosso alcance, não só o compreenderemos, aprenderemos a conviver melhor, mas até modificá-lo à medida que incorporamos as experiências vividas em uma leitura.
Eu iria escutá-las, encher-me-ia de discursos cerimoniosos e saberia tudo. Deixavam-me vagabundear pela biblioteca e eu dava assalto à sabedoria humana. Foi ela quem me fez... nunca esgaravatei a terra nem farejei ninhos, não herborizei nem joguei pedras nos passarinhos. Mas os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era um mundo colhido no espelho; tinha a espessura infinita, a sua variedade e a sua imprevisibilidade. Eu me lançava às incríveis aventuras: era preciso escalar cadeiras, as mesas, com o risco de provocar avalanches que me teria sepultado.
Paulo Freire afirma que “ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo; os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”.
Sartre e Burroughts nos indicam que o conhecimento da língua não é suficiente para se efetivar a leitura, é necessário algo mais. Precisamos adquiri-la, a partir de situações comuns que se interpõem em nosso dia-a-dia, ou seja, devemos nos abrir para compreender não só o mundo da leitura, mas também a sociedade em que vivemos, pois sem o encontro destes dois ingredientes nosso processo de leitura nunca estará completo, pois o verdadeiro leitor nunca é passivo diante do texto; ao contrário, ele é o responsável direto dos sentidos que imprime a esse texto.

1.1A trajetória da leitura

O livro tem aproximadamente seis mil anos de história para ser contada. Há 40.000 anos o homem expressava-se através de pinturas nas paredes de cavernas (pictografia6). Durante seu desenvolvimento o homem foi substituindo a representação visual, pela sonora, assim, a linguagem foi adquirindo sua verdadeira natureza, que é a oral. A humanidade é possuidora da razão, possibilitando a comunicação e o relacionamento com os outros homens.
Os sumérios guardavam suas informações em tijolo de barro. Os indianos faziam seus livros em folhas de palmeiras. Os maias e os astecas, antes do descobrimento das Américas, escreviam os livros em um material macio existente entre a casca das árvores e a madeira. Os romanos escreviam em tábuas de madeira cobertas com cera, os egípcios desenvolveram a tecnologia do papiro, uma planta encontrada às margens do rio Nilo, suas fibras unidas em tiras serviam como superfície resistente para a escrita hieroglífica.
Segundo dados da revista Espaço Aberto da USP, o papel como conhecemos surgiu na China no início do século II, através de um oficial da corte chinesa, a partir do córtex de plantas, tecidos velhos e fragmentos de rede de pesca. A técnica baseava-se no cozimento de fibras do líber - casca interior de certas árvores e arbustos - estendidos por martelos de madeira até se formar uma fina camada de fibras. Posteriormente, as fibras eram misturadas com água em uma caixa de madeira até se transformar numa pasta.
No final da Idade Média, a importância do papel cresceu com a expansão do comércio europeu e tornou-se produto essencial para a administração pública e para a divulgação literária. Após Johann Gutenberg  inventar o processo de impressão com caracteres móveis - a tipografia, o papel passou por um processo de adaptação. Diversas fábricas foram criadas, como por exemplo, a Fábrica de livros, a partir daí o papel deixa de ser artigo de luxo e torna-se mais barato.
Durante séculos, a arte da oratória era à base dos ensinamentos, sendo através do diálogo que os mestres ensinavam seus aprendizes, fazendo dos leitores apenas ouvintes.
A leitura e a escrita eram restritas somente aos nobres, que eram intitulados como „seres privilegiados‟, por exemplo, na Grécia restringia-se aos filósofos e aristocratas, enquanto que em Roma a escrita tornou-se uma forma de garantir os direitos dos patrícios às propriedades. Na Idade Média uma minoria da população era alfabetizada, somente nos mosteiros e nas abadias9 que se encontravam as únicas escolas e bibliotecas da época, e era lá que se preservavam e restauravam textos antigos da herança greco-romana.
A educação formal entrou em crise durante a Alta Idade Média, ficando restrita somente ao clérigo. Neste período a igreja manteve total domínio sob qualquer forma de comunicação que pudesse se expressar além dos seus interesses. As escolas episcopais garantiram a formação do clero, enquanto nos mosteiros, como acabamos de citar eram realizadas as leituras e a cópia de todos os textos da era greco-romana.
A partir deste momento a leitura, passa a ter caráter religioso, restringindo o ensino somente para àqueles que seguiriam a vocação religiosa. Milhares de obras foram censuradas, pois suas idéias não se adequavam às normas da igreja. A escrita passou a ser um símbolo sagrado, vinculando-se a opinião de que os demais indivíduos só poderiam, em sinal de respeito, escutar e memorizar tais ensinamentos sagrados, sem o direito de contestá-los ou interpretá-los. Podemos tomar como exemplo o filme de Humberto Eco, O nome da Rosa, que irá retratar exatamente este período em nossa história, mostrando exatamente como era a vida nos mosteiros, a tamanha carência da população devido à falta de estímulos, viviam como animais, não sabiam se comunicar com os demais, agiam por instinto e comiam restos dos alimentos rejeitados pelos monges. O difícil acesso aos livros, mesmo para os que tinham o privilégio de ler, ainda era grande, havia uma busca imensa pelo saber tais como e onde surgiram todas as coisas do nosso universo.
A literatura ficou restrita durante séculos, livros específicos da cultura portuguesa e brasileira viram-se amordaçados durante o período de atuação da Santa Inquisição. Podemos considerar Portugal pioneiro na censura literária e defesa da fé e dos bons costumes. Mesmo antes da Inquisição em Portugal em 1536, havia uma imensa preocupação quanto ao Estado em sanar as idéias revolucionárias que eram consideradas perigosas ao regime. Em meados do século XV foi instituída a censura real através de um alvará de Afonso V, de 18 de agosto de 1451, que manda "queimar livros falsos e heréticos".
Somente por meados do século XI, a igreja foi perdendo pouco a pouco sua influência sob o ensino, devido ao crescimento das atividades comerciais e manufatureiras, propiciando assim, o aumento das zonas urbanas. Devido a tal desenvolvimento social e econômico, a necessidade de instrução da população foi cada vez maior. Com isso, surgiram as primeiras escolas públicas.

A figura do leitor como conhecemos hoje, _ dos textos impressos_ é recente e surge na Europa, aproximadamente, no século XVIII, quando a impressão dos livros passa do modo artesanal para o modo empresarial, possibilitando assim um maior acesso e um número de livros maior do que no período anterior, com a invenção da imprensa.

Mas desenvolver o hábito da leitura é um desafio a ser enfrentado. A Câmara Brasileira do Livro fundada em 1946, teve como missão desenvolver a leitura no país e difundir a produção editorial brasileira. A entidade sem fins lucrativos que reúne editores, livreiros e distribuidores, realizou em 2000 uma pesquisa em todo o país para avaliar a indústria do livro nacional.
Infelizmente os dados não são muito satisfatórios12, cerca de 26 milhões de leitores, e  milhões de compradores são das classes B e C. Sendo que 60% têm mais de 30 anos, e 53% são moradores da Região Sudeste. Da população alfabetizada com mais de 14 anos, 30% leu pelo menos um livro nos últimos três meses.
Plínio Martins Filho, presidente da Editora da USP e professor no curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA), diz que o consumo de livros no Brasil só não é maior por uma questão de hábito. "Uma das causas da falta de hábito é que a leitura tem que disputar espaço com outras formas de entretenimento. As grandes editoras do Brasil surgiram junto com o rádio e a televisão que, de alguma forma, são meios de lazer baratos e de fácil acesso.”
Diante destes diversos fatores lutamos para manter acesa a chama da leitura nas crianças e nos adolescentes, que crescem sem estímulos, sem poderem com isso desvendar um universo desconhecido e maravilhoso que ganha alma, transforma-se em caleidoscópios multifacetados, polivalentes, graças às leituras plurais que constroem.
A escola, porém, não prepara esse leitor. Por que se vai, aos poucos, insinuando, em nossos jovens, o desgosto da leitura? Eis o que nos diz Daniel Pennac:

Ele [o jovem] é um público implacável e excelente. Ele é, desde o começo, o
bom leitor que continuará a ser se os adultos que o circundam alimentarem seu entusiasmo em lugar de pôr à prova sua competência; estimularem seu desejo de aprender, antes de lhe impor o dever de recitar; acompanharem seus esforços, sem se contentarem de pegá-lo na curva; consentirem em perder noites em lugar de ganhar tempo; fizerem vibrar o presente sem brandir a ameaça do futuro; se recusarem em transformar em obrigação aquilo que era prazer, entretanto esse prazer até que ele se transforme em dever, fundindo esse dever na gratuidade de todo aprendizado cultural, fazendo com que encontrem assim, eles próprios, o prazer nessa gratuidade.

O que fazer para mudarmos esta realidade? Depois de tantas lutas para que finalmente, ganhássemos o direito de ler, não sabemos usufruir deste grande direito que conquistamos, ressaltando que saber lê-los com proficiência implica ser capaz de apreender os significados inscritos no seu interior, e de correlacionar tais significados com o conhecimento de mundo que circula no meio social em que ele é produzido.
As formas de apresentação de um texto interferem no seu sentido. As novas tecnologias lhe dão razão, pois a leitura feita na Internet costuma ser descontínua e fragmentada, em um universo confuso e sem forma, contrapondo-se à sobrevivência do códice, o formato de livro que surgiu em torno do século III – com páginas que são viradas, e não desenroladas, como nos rolos de pergaminho que até então conservavam a palavra escrita – e alcançou um público leitor cada vez maior a partir da invenção da imprensa, na década de 1950.
A internet, com sua capacidade inaudita de divulgar textos e imagens, tem sem dúvida o potencial de expandir essa república virtual.
O leitor raramente percebe o sentido do todo, do prazer visual e tátil que se extrai do contato com o simples manuseio de um jornal lhe proporciona. Essa diferença é fundamental, pois torna a leitura de um livro mais profunda e duradoura, faz como que ele preveja a sobrevivência do formato impresso, pois seríamos simplistas ao imaginar que uma nova tecnologia vai substituir completamente e de imediato formas mais antigas, apesar da disseminação dos meios tecnológicos.

1.2 A importância da leitura dentro da sociedade e como ela é formada

A leitura é algo muito amplo, não pode apenas ser considerada como uma interpretação dos signos do alfabeto. Produz sentido, ou seja, surge da vivência de cada um, é posta como prática na compreensão do mundo na qual o sujeito está inserido.
Tal aprendizagem está ligada ao processo de formação geral de um indivíduo e sua capacitação dentro da sociedade, como por exemplo: a atuação política, econômica e cultural, o convívio com a sociedade, seja dentro da família ou no trabalho.
Para os gregos, a leitura é a idéia simples, baseada na decifração dos códigos lingüísticos, sendo o bastante para modificar a estrutura de uma sociedade, o que não corresponde com a realidade. O indivíduo modifica sua visão de mundo através da leitura, não pela sua forma.
Iremos nos basear em duas diferentes formas e níveis de leitura: a leitura sendo apenas uma decodificação mecânica dos signos lingüísticos, abordada pela pedagogia, onde a prática é formal e está apenas ligada às atividades geralmente desenvolvida pelas escolas; e a leitura como um processo de compreensão, que abrange os componentes sociológicos, estudando os aspectos sociais da vida humana, que terá seu foco na transmissão do gosto pela leitura no ambiente familiar.
Há três níveis de leitura: o sensorial emocional e o racional, que estão inter-relacionados, trazendo uma enorme riqueza ao texto.
O nível sensorial é diretamente ligado aos sentidos; o emocional lida com as emoções de cada indivíduo e o racional concentra-se na parte intelectual, dinâmica e questionadora.
Segundo Vieira, o nível sensorial é muito rico podendo ser amplamente explorado no âmbito familiar. Desde a gestação do bebê, a mãe ao embalar a criança com a canção de ninar, já estimula o interesse de ler. Sendo assim, a leitura não é somente o impresso, mas a música, os desenhos, enfim, todos são modos de leitura que podem ser trabalhados em família no aconchego do lar.
O ato da leitura é muito mais do que simplesmente ler um artigo de revista, um livro, um jornal. Ler se tornou uma necessidade, é participar ativamente de uma sociedade, desenvolver a capacidade verbal, descobrir o universo através das palavras, além do fato que ao final de cada leitura nos enriquecemos com novas idéias, experiências.
Através de um livro, milhares de crianças podem descobrir um universo de aventuras, um mundo só seu, repleto de magia que é concedido nas páginas de um livro.
A leitura é uma atividade prazerosa e poderosa, pois desenvolve uma enorme capacidade de criar, traz conhecimentos, promovendo uma nova visão do mundo. O leitor estabelece uma relação dinâmica entre a fantasia, encontrada nos universos dos livros e a realidade encontrada em seu meio social. A criatividade, a imaginação o raciocínio se sobrepõem diante deste magnífico cenário, criando um palco de possibilidades.
Cada leitor ao fazer uma leitura, trava um contato direto com o texto, trazendo para o seu objeto de leitura as suas experiências pessoais, suas ideologias, seus conceitos, é isto que faz o ato de ler tão importante.
O leitor se tornará um co-autor do texto, deixando suas características e impressões, segundo Josef Soares, “cada leitura é uma nova escritura de um texto. O ato de criação não estaria, assim, na escrita, mas na leitura, o verdadeiro produtor não seria o autor, mas o leitor”. Ler não é descobrir o que o autor quis nos dizer, “[...] ao ler, o leitor trabalha produzindo significações e nesse trabalho que ele se constrói leitor. Suas leituras prévias, suas histórias como leitor, estão presentes como condição de seu trabalho de leitura e esse trabalho o constitui como leitor e assim sucessivamente”.
Passamos a reconstruir, por exemplo, quadros complexos, envolvendo personagens, ações, fatos, criamos situações, mundos diversos e particulares, onde cada indivíduo passa ser o mentor da sua própria imaginação.
São várias as qualidades despertadas pelo hábito da leitura nas crianças, como por exemplo, a criatividade à medida que lhe proporciona oportunidades de conhecer alternativas para questões reais e cotidianas. A visão de mundo, o conhecimento de culturas, situações, pessoas e idéias diferentes, tais conceitos nos auxiliariam, por exemplo, no combate ao preconceito, abrindo assim a mente para o diferente.
O vocabulário de uma pessoa que tem o hábito de ler é amplo, pois a aptidão para ler com proficiência é o mais significativo indicador de bom desempenho lingüístico, permitindo ao leitor ter uma quantidade de informações sobre quase todos os domínios do conhecimento, sabendo hierarquizá-las, estabelecendo as devidas correlações entre elas e discernindo as que se implicam das que se excluem, utilizando-as apropriadamente como recursos argumentativos para sustentar suas idéias.
A capacidade de compreensão adquirida pela interpretação é fundamental. No Brasil, o número de analfabetos funcional é alarmante, trata-se daquelas pessoas que sabem ler e escrever, mas que não compreendem o que estão lendo.
O hábito de leitura neste ponto é primordial, pois quanto mais se lê, mais aumenta a capacidade de compreensão do mundo de cada indivíduo, lembrando que isso vale para qualquer tipo de leitura, desde os célebres e clássicos romances como a leitura diária de uma crônica num jornal.
Segundo dados da revista ABC do Educatio, a escola é tida hoje como ponto central na divulgação da leitura/ literatura, no entanto ainda deixam a leitura à deriva, ensinado apenas os comportamentos alfabéticos, ou seja, alfabetiza, mas não desenvolve as condutas necessárias para constituir um leitor.
Outro dos pontos principais que não podemos deixar de citar é a família, pois é através dela que normalmente surge o primeiro contato com a leitura.
Porém, em uma sociedade em que a maioria dos pais trabalha fora, ou não tiveram acesso a leitura, o tempo para dedicar-se à formação de seus filhos como leitores é cada vez menor. Então, resta à escola a responsabilidade de desenvolver esta habilidade em seus alunos, ressaltando que no âmbito escolar, é o seu caráter interdisciplinar o traço de maior relevo, já que interfere decisivamente no aprendizado de todas as demais matérias do currículo.
A escola, dessa forma, toma como prioridade a aprendizagem da leitura, „aprender a ler‟ para, então „ler para aprender‟, quer dizer, apropriar-se de uma competência para compreender os diferentes tipos de textos, existentes no seu contexto social, e também fora dele.
Devemos motivar os alunos para que vislumbrem as diversas e diferentes razões para lermos. Lemos para obter informações, para receber instruções, para obter e aprofundar conhecimentos, para passatempo, por prazer, por gosto, para estabelecer comunicação com outrem, para melhor compreender o meio em que vivemos, para encontrar, à distância, com quem trocar idéias sobre tudo aquilo que pensamos do mundo exterior e interior. Nesse sentido, a leitura tem uma função ao mesmo tempo social e individual. E é neste universo que a criança deverá ser „convidada‟ a se integrar.

Para ler texto completo, acessar http://www.fals.com.br/revela9/Artigo4_ed08.pdf



Danielle Santos de Brito

A menina que odiava livros

segunda-feira, 23 de maio de 2011

LINGUAGENS, APRENDIZAGEM E COMUNICAÇÃO COM AS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO

Olá

Indicamos o seguinte vídeo para que possamos discutir  a respeito

das transformações das linguagens e do uso das tecnologias da informação e comunicação entre estudantes e professores e suas repercussões na sociedade.

Após sua "leitura", discuta com seus colegas no fórum próprio.
Abraços

Yvie

terça-feira, 17 de maio de 2011

Como lemos?

Texto 1
*De aorcdo com uma peqsiusa*


*de uma uinrvesriddae ignlsea,*


*não ipomtra em qaul odrem as*


*Lteras de uma plravaa etãso, *


*a úncia csioa iprotmatne é que*


*a piremria e útmlia Lteras etejasm *


*no lgaur crteo. O rseto pdoe ser*


*uma bçguana ttaol, que vcoê *


*anida pdoe ler sem pobrlmea.*


*Itso é poqrue nós não lmeos *


*cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa *


*cmoo um tdoo. *

Texto 2
Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o
que está escrito. **

* 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3
F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310
COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453
4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O
D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5! 

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mulheres são maioria na Educação a Distância


Divulgado recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), o último Censo do Ensino Superior, mostra, mais uma vez, que as mulheres são maioria nessa etapa da educação, principalmente na modalidade a distância. De acordo com o documento, elas representam cerca de 55% dos alunos na modalidade presencial e mais de 69% na Educação a Distância. Entre os concluintes dos cursos, as mulheres também são maioria: 58,8% em cursos presenciais e 76,2% a distância.
A EaD, como também é conhecida esta modalidade, apresenta ainda mais uma particularidade: as mulheres iniciam os cursos mais tarde, por volta dos 28 anos e o tipo de curso preferido é a licenciatura. São mulheres que buscam tardiamente uma graduação devido a diversos motivos, como dificuldades financeiras (nessa idade, elas já têm uma estabilidade maior que lhes permite investir nos estudos) ou questões familiares (são mães que deixaram os estudos para cuidar de seus filhos e, após o crescimento deles, podem se dedicar ao sonho de continuar de onde pararam).
De acordo com o diretor executivo das Faculdades FAEL, Mauricio Nunes, a presença da mulher entre os alunos da instituição é fortemente notada tanto nos cursos presenciais quanto nos cursos a distância, seja em cursos de Graduação ou Pós-Graduação. Quanto à Educação a Distância, é possível afirmar que o crescimento da modalidade no país, associado à maior participação da mulher na sociedade, se manifesta na maior expressão da mulher no ensino superior.
“O resultado da pesquisa demonstra que a mulher, cada vez mais, busca a consolidação do seu espaço no mercado de trabalho, competindo em caráter de igualdade com os homens”, afirma Nunes. Segundo ele, especificamente sobre a presença da mulher  na Educação a Distância, a flexibilidade de horário de estudo, a capilaridade e o alcance dessa modalidade de ensino superior são, sem dúvida, fatores que atraem o interesse de todos. “Sobretudo da mulher, que normalmente exerce dupla jornada. Além de atividade profissional exercida em empresa, com carga horária equivalente ao homem, também têm especial zelo pela família”, completa o diretor.
Uma das graduações mais procuradas por essas mulheres é a Pedagogia, curso ofertado pela própria FAEL em todos os estados brasileiros. “A Pedagogia acaba aproximando o sonho da graduação com uma situação que a mulher conhece muito bem: a proximidade com as crianças, já que, em sua grande maioria, são mães e, mesmo que ainda não sejam, têm a maternidade aflorada”, explica a coordenadora do curso de Pedagogia da FAEL, Ana Cristina Pienta. Portanto, a Educação a Distância tem proporcionado uma oportunidade a essas mulheres, que lutam para educar seus filhos e ainda têm disposição para acompanhar o desenvolvimento de outras crianças.
Fonte: acritica.net

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Produção textual em ambiente digital: propostas para leitura e produção de textos



Proposta de criação de Web Quest
Yvie C Fávero de Souza

Público:
Professores do curso a distância Produção textual em ambiente digital: propostas para leitura e produção de textos

• Tema:
Webquest – possibilidades de uso pedagógico para a leitura e produção e textos

Conteúdos
Webquest como elemento para produção e interpretação de textos:
Conceito
Metodologia
Duração
Elementos
Processos
Objetivos educacionais
Professor autor


• Tempo – duas semanas
Semana 1 – apresentação do conteúdo, análise de webquests.
Semana 2 – discussão no fórum, criação de webquests.

• Forma: apresentar o conteúdo. Analisar webquests. Discutir a respeito nos fóruns apropriados. Produzir webquest.

Objetivos: Analisar usos e formas de webquest na educação.
Produzir webquest para uso educacional.
Favorecer o trabalho de autoria dos professores.
Construir espaço colaborativo de aprendizagem.


Introdução:
As modernas tecnologias de informação e comunicação introduziram novas possibilidades ao ensino a partir do meio digital, com isso trouxeram novas competências que estudantes e educadores necessitam dominar. Apresentamos uma proposta de aprendizagem tendo como objeto de ensino a leitura e produção de textos em ambiente digital.
Este trabalho busca explorar alguns mecanismos de leitura e produção de textos no meio eletrônico, que possibilitam interconectar textos, sons, imagens ou vídeos à leitura e produção de diferentes genros textuais por meio de hiperlinks.
No contexto específico desta proposta para o meio digital, será adotada a visão curricular crítica, visto que o ensino no meio tecnológico pode contribuir para o exercício mais pleno da cidadania, a aprendizagem colaborativa e a construção da autonomia.

Tarefas:
Ler os textos indicados.
Participar dos fóruns de discussão.
Pesquisar e analisar exemplos de webquests.
Construir webquest.

Processos:

Leitura de textos: WebQuests em Roteiro de Curso Hipermídia; Possibilidades e Formas de Colaboração: um estudo com alunos do Ensino Fundamental
Vídeo Webquest.
Pesquisa em sites na internet.


• Avaliação: a partir da participação nos fóruns e da criação da webquest.



Recursos:
BRANDÃO, A.; MUSA, D.L.; et.al. WebQuests em Roteiro de Curso Hipermídia. Disponível em
RAMOS, D. Possibilidades e Formas de Colaboração: um estudo com alunos do Ensino Fundamental. Disponível em http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/modulo8/etapa3/leituras/possibilidades_formas_colaboracao.pdf
Webquest. Apresentação em vídeo. Disponível em http://penta3.ufrgs.br/midiasedu/modulo8/etapa3/cinema/webquest_video02.1.wmv

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mídia e escolarização

Mídia e escolarização

Vídeo sobre o uso da mídia como objeto de aprendizagem.
vídeo

Mídias na Educação




Quem é o usuário do computador?
Como usar esta ferramenta na Educação?
Estas e outras questões são respondidas por Moran no texto "As mídias na educação" em trecho do livro Desafios na Comunicação Pessoal. 3ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 162-166.



“A simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser a forma mais enganosa de ocultar seus problemas de fundo sob a égide da modernização tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas, o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu encanto”.

Jesús Martín Barbero [1]

As mídias educam

Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola e vamos deixando de lado a televisão e o vídeo, como se já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão importantes ou como se já dominássemos suas linguagens e sua utilização na educação.

A televisão, o cinema e o vídeo, CD ou DVD - os meios de comunicação audiovisuais - desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos continuamente informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento, ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em detrimento de outros.

A informação e a forma de ver o mundo predominantes no Brasil provêm fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo sensorial, afetivo e ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos - levam a para sala de aula. Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é muito mais difícil para o educador contrapor uma visão mais crítica, um universo mais mais abstrato, complexo e na contra-mão da maioria como a escola se propõe a fazer.

A TV fala da vida, do presente, dos problemas afetivos - a fala da escola é muito distante e intelectualizada - e fala de forma impactante e sedutora - a escola, em geral, é mais cansativa, concorda?. O que tentamos contrapor na sala de aula, de forma desorganizada e monótona, aos modelos consumistas vigentes, a televisão, o cinema, as revistas de variedades e muitas páginas da Internet o desfazem nas horas seguintes. Nós mesmos como educadores e telespectadores sentimos na pele a esquizofrenia das visões contraditórias de mundo e das narrativas (formas de contar) tão diferentes dos meios de comunicação e da escola.

Percebeu que na procura desesperada pela audiência imediata e fiel, os meios de comunicação desenvolvem estratégias e fórmulas de sedução mais e mais aperfeiçoadas: o ritmo alucinante das transmissões ao vivo, a linguagem concreta, plástica, visível?. Mexem com o emocional, com as nossas fantasias, desejos, instintos. Passam com incrível facilidade do real para o imaginário, aproximando-os em fórmulas integradoras, como nas telenovelas.

Em síntese, os Meios são interlocutores constantes e reconhecidos, porque competentes, da maioria da população, especialmente da infantil. Esse reconhecimento significa que os processos educacionais convencionais e formais como a escola não podem voltar as costas para os meios, para esta iconosfera tão atraente e, em conseqüência, tão eficiente. A maior parte do referencial do mundo de crianças e jovens provém da televisão. Ela fala da vida, do presente, dos problemas afetivos - a escola é muito distante e abstrata - e fala de forma viva e sedutora - a escola, em geral, é mais cansativa.

As crianças e jovens se acostumaram a se expressar de forma polivalente, utilizando a dramatização, o jogo, a paráfrase, o concreto, a imagem em movimento. A imagem mexe com o imediato, com o palpável. A escola desvaloriza a imagem e essas linguagens como negativas para o conhecimento. Ignora a televisão, o vídeo; exige somente o desenvolvimento da escrita e do raciocínio lógico. É fundamental que a criança aprenda a equilibrar o concreto e o abstrato, a passar da espacialidade e contigüidade visual para o raciocínio seqüencial da lógica falada e escrita. Não se trata de opor os meios de comunicação às técnicas convencionais de educação, mas de integrá-los, de aproximá-los para que a educação seja um processo completo, rico, estimulante. A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e mostrá-lo na sala de aula, discutindo-o com os alunos, ajudando-os a que percebam os aspectos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto.

Precisamos, em conseqüência, estabelecer pontes efetivas entre educadores e meios de comunicação. Educar os educadores para que, junto com os seus alunos, compreendam melhor o fascinante processo de troca, de informação-ocultamento-sedução, os códigos polivalentes e suas mensagens. Educar para compreender melhor seu significado dentro da nossa sociedade, para ajudar na sua democratização, onde cada pessoa possa exercer integralmente a sua cidadania.

Em que níveis pode ser pensada a relação Comunicação, Meios de Comunicação e Escola? Entendemos que esta pode ser pensada em três níveis:

1. organizacional

2. de conteúdo

3. comunicacional

- no nível organizacional: uma escola mais participativa, menos centralizadora, menos autoritária, mais adaptada a cada indivíduo. Para isso, é importante comparar o nível do discurso - do que se diz ou se escreve - com a práxis - com as efetivas expressões de participação.

- no nível de conteúdo: uma escola que fale mais da vida, dos problemas que afligem os jovens. Tem que preparar para o futuro, estando sintonizada com o presente. É importante buscar nos meios de comunicação abordagens do quotidiano e incorporá-las criteriosamente nas aulas.

- no nível comunicacional: conhecer e incorporar todas as linguagens e técnicas utilizadas pelo homem contemporâneo. Valorizar as linguagens audiovisuais, junto com as convencionais.

Tem-se enfatizado a questão do conhecimento como essencial para uma boa educação. É básico ajudar o educando a desenvolver sua(s) inteligência(s), a conhecer melhor o mundo que o rodeia. Por outro lado, fala-se da educação como desenvolvimento de habilidades: "Aprender a aprender", saber comparar, sintetizar, descrever, se expressar.

Desenvolver a inteligência, as habilidades e principalmente, as atitudes. Ajudar o educando a adotar atitudes positivas, para si mesmo e para os outros. Aqui reside o ponto crucial da educação: ajudar o educando a encontrar um eixo fundamental para a sua vida, a partir do qual possa interpretar o mundo (fenômenos de conhecimento), desenvolva habilidades específicas e tenha atitudes coerentes para a sua realização pessoal e social. [[Ver o capítulo A comunicação na educação do livro Mudanças na comunicação pessoal de José Manuel Moran, São Paulo, Paulinas, 2000, páginas, 155-166]].

A transmissão de informação é a tarefa mais fácil e onde as tecnologias podem ajudar o professor a facilitar o seu trabalho. Um simples CD-ROM contém toda a Enciclopédia Britânica, que também pode ser acessada on line pela Internet. O aluno nem precisa ir a escola para buscar as informações. Mas para interpretá-las, relacioná-las, hierarquizá-las, contextualizá-las, só as tecnologias não serão suficientes. O professor o ajudará a questionar, a procurar novos ângulos, a relativizar dados, a tirar conclusões.

Que outras contribuições as tecnologias podem dar ao professor? As tecnologias também ajudam a desenvolver habilidades, espaço-temporais, sinestésicas, criadoras. Mas o professor é fundamental para adequar cada habilidade a um determinado momento histórico e a cada situação de aprendizagem.

As tecnologias são pontes que abrem a sala de aula para o mundo, que representam, medeiam o nosso conhecimento do mundo. São diferentes formas de representação da realidade, de forma mais abstrata ou concreta, mais estática ou dinâmica, mais linear ou paralela, mas todas elas, combinadas, integradas, possibilitam uma melhor apreensão da realidade e o desenvolvimento de todas as potencialidades do educando, dos diferentes tipos de inteligência, habilidades e atitudes.

As tecnologias permitem mostrar várias formas de captar e mostrar o mesmo objeto, representando-o sob ângulos e meios diferentes: pelos movimentos, cenários, sons, integrando o racional e o afetivo, o dedutivo e o indutivo, o espaço e o tempo, o concreto e o abstrato.

A educação é um processo de construção da consciência crítica. Como então se dá esse processo? Essa construção começa com a problematização dos dados que nos chegam direta e indiretamente - através dos meios, por exemplo - recontextualizando-os numa perspectiva de conjunto, totalizante, coerente, um novo texto, uma nova síntese criadora. Essa síntese integra os dados tanto conceituais quanto sensíveis, tanto da realidade quanto da ficção, do presente e do passado, do político, econômico e cultural. Falamos assim, de uma educação para a comunicação. Uma educação que procura ajudar as pessoas individualmente e em grupo a realizar sínteses mais englobantes e coerentes, tomando como partida as expressões de troca que se dão na sociedade e na relação com cada pessoa; ajudar a entender uma parte dessa totalidade a partir da comunicação enquanto organização de trocas tanto ao nível interpessoal como coletivo.

A educação para a comunicação precisa da articulação de vários espaços educativos, mais ou menos formais: educação ao nível familiar, trabalhando a relação pais-filhos-comunicação, seja de forma esporádica ou em momentos privilegiados, em cursos específicos também. A relação comunicação-escola, uma relação difícil e problemática, mas absolutamente necessária para o enriquecimento de ambas, numa nova perspectiva pedagógica, mais rica e dinâmica. Comunicação na comunidade, analisando os meios de comunicação a partir da situação de uma determinada comunidade e interpretando concomitantemente os processos de comunicação dentro da comunidade. Educação para a comunicação é a busca de novos conteúdos, de novas relações, de novas formas de expressar esses conteúdos e essas relações.

A escola precisa exercitar as novas linguagens que sensibilizam e motivam os alunos, e também combinar pesquisas escritas com trabalhos de dramatização, de entrevista gravada, propondo formatos atuais como um programa de rádio uma reportagem para um jornal, um vídeo, onde for possível. A motivação dos alunos aumenta significativamente quando realizam pesquisas, onde se possam expressar em formato e códigos mais próximos da sua sensibilidade. Mesmo uma pesquisa escrita, se o aluno puder utilizar o computador, adquire uma nova dimensão e, fundamentalmente, não muda a proposta inicial.



Integrar as mídias na escola

Antes da criança chegar à escola, já passou por processos de educação importantes: pelo familiar e pela mídia eletrônica. No ambiente familiar, mais ou menos rico cultural e emocionalmente, a criança vai desenvolvendo as suas conexões cerebrais, os seus roteiros mentais, emocionais e suas linguagens. Os pais, principalmente a mãe, facilitam ou complicam, com suas atitudes e formas de comunicação mais ou menos maduras, o processo de aprender a aprender dos seus filhos.

A criança também é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Aprende a informar-se, a conhecer - os outros, o mundo, a si mesmo - a sentir, a fantasiar, a relaxar, vendo, ouvindo, "tocando" as pessoas na tela, que lhe mostram como viver, ser feliz e infeliz, amar e odiar. A relação com a mídia eletrônica é prazerosa - ninguém obriga - é feita através da sedução, da emoção, da exploração sensorial, da narrativa - aprendemos vendo as estórias dos outros e as estórias que os outros nos contam.

Mesmo durante o período escolar a mídia mostra o mundo de outra forma - mais fácil, agradável, compacta - sem precisar fazer esforço. Ela fala do cotidiano, dos sentimentos, das novidades. A mídia continua educando como contraponto à educação convencional, educa enquanto estamos entretidos.

A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É importante educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos indivíduos. O poder público pode propiciar o acesso de todos os alunos às tecnologias de comunicação como uma forma paliativa, mas necessária de oferecer melhores oportunidades aos pobres, e também para contrabalançar o poder dos grupos empresariais e neutralizar tentativas ou projetos autoritários.

Se a educação fundamental é feita pelos pais e pela mídia, urgem ações de apoio aos pais para que incentivem a aprendizagem dos filhos desde o começo das vidas deles, através do estímulo, das interações, do afeto. Quando a criança chega à escola, os processos fundamentais de aprendizagem já estão desenvolvidos de forma significativa. Urge também a educação para as mídias, para compreendê-las, criticá-las e utilizá-las da forma mais abrangente possível.

A educação para os meios começa com a sua incorporação na fase de alfabetização. Alfabetizar-se não consiste só em conscientizar os códigos da língua falada e escrita, mas dos códigos de todas as linguagens do homem atual e da sua interação. A criança, ao chegar à escola, já sabe ler histórias complexas, como uma telenovela, com mais de trinta personagens e cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pela escola, que, no máximo, utiliza a imagem e a música como suporte para facilitar a compreensão da linguagem falada e escrita, mas não pelo seu intrínseco valor. As crianças precisam desenvolver mais conscientemente o conhecimento e prática da imagem fixa, em movimento, da imagem sonora ... e fazer isso parte do aprendizado central e não marginal. Aprender a ver mais abertamente, o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade (como os programas de televisão).

Antes de pensar em produzir programas específicos para as crianças, convém retomar, estabelecer pontos com os produtos culturais que lhes são familiares. Fazer re-leituras dos programas infantis, re-criação desses mesmos programas, elaboração de novos conteúdos a partir dos produtos conhecidos. Partir do que o rádio, jornal, revistas e televisão mostram para construir novos conhecimentos e desenvolver habilidades. Não perder a dimensão lúdica da televisão, dos computadores. A escola parece um desmancha-prazeres. Tudo o que as crianças adoram a escola detesta, questiona ou modifica. Primeiro deve-se valorizar o que é valorizado pelas crianças, depois procurar entendê-lo (os professores e os pais) do ponto de vista delas, crianças, para só mais tarde, propor interações novas com os produtos conhecidos. Depois podem-se exibir programas adaptados à sua sensibilidade e idade, programas que sigam o mesmo ritmo da televisão, mas que introduzam alguns conceitos específicos que, aos poucos, irão sendo incorporados.





[1] Jesús MARTÍN BARBERO. Heredando el Futuro.Pensar la Educación desde la Comunicación, in Nómadas, Boggotá, septiembre de 1996, n. 5, p. 10-22.