quinta-feira, 26 de maio de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA NA FORMAÇÃO SOCIAL DO INDIVÍDUO

1. O MUNDO DA LEITURA
A leitura é um conhecimento construído de experiências únicas? Um desejo de viver?
A leitura está relacionada não só a estes questionamentos, mas a inúmeros outros. O ato de ler é representado por meio da escrita, do som, da arte, dos cheiros.
Cada leitor possui uma experiência própria, cotidiana e pessoal, tornando a leitura única, incapaz de se repetir, e este é o seu grande encanto.
Através deste recurso fabuloso, conseguimos o total domínio da palavra, traçando idéias e conhecimentos, sendo possível entender o mundo que nos cerca, nos transformamos e, ao nos transformar, abrimos nossas mentes para o desconhecido, passando assim a construir um mundo melhor para cada um de nós.
Por meio da leitura resgatamos nossas lembranças mais especiais, que fazem parte da nossa cultura. Essa cultura que nos foi dada tem como finalidade a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus atos, porém essa cultura se dilui e se perde diariamente, e é este saber, esta cultura que precisa ser recuperada.
Podemos ressaltar que a leitura não se constitui em um ato solitário, nem em atividades individuais, o leitor é sempre parte de um grupo social, certamente carregará para esse grupo elementos de sua leitura, do mesmo modo que a leitura trará vivências oriundas do social, de sua experiência prévia e individual do mundo e da vida.
Ao ler um texto ou um livro, interagimos não propriamente com o texto, mas com os leitores virtuais, que são constituídos no próprio ato da escrita. O autor os cria em seus textos e o leitor real, lê o texto e dele se apropria. O texto passa assim a exercer uma mediação entre sujeitos, tendo a influência de estabelecer relações entre os leitores reais ou virtuais.
O conceito de leitura na maior parte das vezes está relacionado com a decifração dos códigos lingüísticos e sua aprendizagem. No entanto, não podemos deixar de levar em consideração o processo de formação social deste indivíduo, suas capacidades, sua cultura política e social.

Saber ler e escrever, já entre os gregos e romanos, significava possuir as bases de uma educação adequada para a vida, educação essa que visava não só ao desenvolvimento das capacidades intelectuais e espirituais, como das aptidões físicas, possibilitando ao cidadão integrar-se efetivamente a sociedade, no caso à classe dos senhores, dos homens livres.

Dentro de toda uma sociedade, de uma cultura, não podemos nos esquecer, que a peça fundamental de todo este processo, primeiramente, somos nós. Ler também faz parte de um contexto pessoal. Temos que valorizá-lo para podermos ir além. Além de tudo o que se pode simplesmente ler, ir até onde nossa imaginação possa ser capaz de nos levar.
Sartre, em seu relato autobiográfico, mostra uma perspectiva mais realista, porém não menos interessante sobre a inicialização da leitura, em que nos mostra que ler está além das letras impressas no papel. Em sua obra nos fala como foram suas primeiras experiências com a leitura, sendo o seu primeiro livro intitulado: “Tribulações de um chinês na China”.

[...] transportei-me para um quarto de despejo; aí, empoleirado sobre uma cama de armar, fiz de conta que estava lendo: seguia com os olhos as linhas negras sem saltar uma única e me contava a história em voz alta, tomando o cuidado de pronunciar todas as sílabas (...) fiz com que me surpreendessem _, gritaram admirados e decidiram que era tempo de me ensinar o alfabeto. Fui zeloso como catecúmeno; ia a ponto de dar a mim mesmo aulas particulares; eu montava na minha cama de armar com o Sem família de Hector Malot, que conhecia de cor e, em parte recitando, em parte decifrando, percorri-lhe todas as páginas, uma após outra: quando a última foi virada, eu sabia ler.4 (p.15) ”

O simples ato de ler passou a ser uma fantástica aventura, onde as barreiras do mundo não passavam de meras casualidades para ele. Sartre passou a enxergar os livros, o ato de ler, com outros olhos, mostrando-nos que a leitura vai além de todas as nossas perspectivas, se nos deixarmos envolver por ela. A curiosidade passa a ser a necessidade de alimentar o imaginário, desvendar os segredos do mundo e dar ao leitor o conhecimento de si mesmo através da maneira que lê e encara o mundo. Dá-nos a impressão de o mundo estar ao nosso alcance, não só o compreenderemos, aprenderemos a conviver melhor, mas até modificá-lo à medida que incorporamos as experiências vividas em uma leitura.
Eu iria escutá-las, encher-me-ia de discursos cerimoniosos e saberia tudo. Deixavam-me vagabundear pela biblioteca e eu dava assalto à sabedoria humana. Foi ela quem me fez... nunca esgaravatei a terra nem farejei ninhos, não herborizei nem joguei pedras nos passarinhos. Mas os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era um mundo colhido no espelho; tinha a espessura infinita, a sua variedade e a sua imprevisibilidade. Eu me lançava às incríveis aventuras: era preciso escalar cadeiras, as mesas, com o risco de provocar avalanches que me teria sepultado.
Paulo Freire afirma que “ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo; os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”.
Sartre e Burroughts nos indicam que o conhecimento da língua não é suficiente para se efetivar a leitura, é necessário algo mais. Precisamos adquiri-la, a partir de situações comuns que se interpõem em nosso dia-a-dia, ou seja, devemos nos abrir para compreender não só o mundo da leitura, mas também a sociedade em que vivemos, pois sem o encontro destes dois ingredientes nosso processo de leitura nunca estará completo, pois o verdadeiro leitor nunca é passivo diante do texto; ao contrário, ele é o responsável direto dos sentidos que imprime a esse texto.

1.1A trajetória da leitura

O livro tem aproximadamente seis mil anos de história para ser contada. Há 40.000 anos o homem expressava-se através de pinturas nas paredes de cavernas (pictografia6). Durante seu desenvolvimento o homem foi substituindo a representação visual, pela sonora, assim, a linguagem foi adquirindo sua verdadeira natureza, que é a oral. A humanidade é possuidora da razão, possibilitando a comunicação e o relacionamento com os outros homens.
Os sumérios guardavam suas informações em tijolo de barro. Os indianos faziam seus livros em folhas de palmeiras. Os maias e os astecas, antes do descobrimento das Américas, escreviam os livros em um material macio existente entre a casca das árvores e a madeira. Os romanos escreviam em tábuas de madeira cobertas com cera, os egípcios desenvolveram a tecnologia do papiro, uma planta encontrada às margens do rio Nilo, suas fibras unidas em tiras serviam como superfície resistente para a escrita hieroglífica.
Segundo dados da revista Espaço Aberto da USP, o papel como conhecemos surgiu na China no início do século II, através de um oficial da corte chinesa, a partir do córtex de plantas, tecidos velhos e fragmentos de rede de pesca. A técnica baseava-se no cozimento de fibras do líber - casca interior de certas árvores e arbustos - estendidos por martelos de madeira até se formar uma fina camada de fibras. Posteriormente, as fibras eram misturadas com água em uma caixa de madeira até se transformar numa pasta.
No final da Idade Média, a importância do papel cresceu com a expansão do comércio europeu e tornou-se produto essencial para a administração pública e para a divulgação literária. Após Johann Gutenberg  inventar o processo de impressão com caracteres móveis - a tipografia, o papel passou por um processo de adaptação. Diversas fábricas foram criadas, como por exemplo, a Fábrica de livros, a partir daí o papel deixa de ser artigo de luxo e torna-se mais barato.
Durante séculos, a arte da oratória era à base dos ensinamentos, sendo através do diálogo que os mestres ensinavam seus aprendizes, fazendo dos leitores apenas ouvintes.
A leitura e a escrita eram restritas somente aos nobres, que eram intitulados como „seres privilegiados‟, por exemplo, na Grécia restringia-se aos filósofos e aristocratas, enquanto que em Roma a escrita tornou-se uma forma de garantir os direitos dos patrícios às propriedades. Na Idade Média uma minoria da população era alfabetizada, somente nos mosteiros e nas abadias9 que se encontravam as únicas escolas e bibliotecas da época, e era lá que se preservavam e restauravam textos antigos da herança greco-romana.
A educação formal entrou em crise durante a Alta Idade Média, ficando restrita somente ao clérigo. Neste período a igreja manteve total domínio sob qualquer forma de comunicação que pudesse se expressar além dos seus interesses. As escolas episcopais garantiram a formação do clero, enquanto nos mosteiros, como acabamos de citar eram realizadas as leituras e a cópia de todos os textos da era greco-romana.
A partir deste momento a leitura, passa a ter caráter religioso, restringindo o ensino somente para àqueles que seguiriam a vocação religiosa. Milhares de obras foram censuradas, pois suas idéias não se adequavam às normas da igreja. A escrita passou a ser um símbolo sagrado, vinculando-se a opinião de que os demais indivíduos só poderiam, em sinal de respeito, escutar e memorizar tais ensinamentos sagrados, sem o direito de contestá-los ou interpretá-los. Podemos tomar como exemplo o filme de Humberto Eco, O nome da Rosa, que irá retratar exatamente este período em nossa história, mostrando exatamente como era a vida nos mosteiros, a tamanha carência da população devido à falta de estímulos, viviam como animais, não sabiam se comunicar com os demais, agiam por instinto e comiam restos dos alimentos rejeitados pelos monges. O difícil acesso aos livros, mesmo para os que tinham o privilégio de ler, ainda era grande, havia uma busca imensa pelo saber tais como e onde surgiram todas as coisas do nosso universo.
A literatura ficou restrita durante séculos, livros específicos da cultura portuguesa e brasileira viram-se amordaçados durante o período de atuação da Santa Inquisição. Podemos considerar Portugal pioneiro na censura literária e defesa da fé e dos bons costumes. Mesmo antes da Inquisição em Portugal em 1536, havia uma imensa preocupação quanto ao Estado em sanar as idéias revolucionárias que eram consideradas perigosas ao regime. Em meados do século XV foi instituída a censura real através de um alvará de Afonso V, de 18 de agosto de 1451, que manda "queimar livros falsos e heréticos".
Somente por meados do século XI, a igreja foi perdendo pouco a pouco sua influência sob o ensino, devido ao crescimento das atividades comerciais e manufatureiras, propiciando assim, o aumento das zonas urbanas. Devido a tal desenvolvimento social e econômico, a necessidade de instrução da população foi cada vez maior. Com isso, surgiram as primeiras escolas públicas.

A figura do leitor como conhecemos hoje, _ dos textos impressos_ é recente e surge na Europa, aproximadamente, no século XVIII, quando a impressão dos livros passa do modo artesanal para o modo empresarial, possibilitando assim um maior acesso e um número de livros maior do que no período anterior, com a invenção da imprensa.

Mas desenvolver o hábito da leitura é um desafio a ser enfrentado. A Câmara Brasileira do Livro fundada em 1946, teve como missão desenvolver a leitura no país e difundir a produção editorial brasileira. A entidade sem fins lucrativos que reúne editores, livreiros e distribuidores, realizou em 2000 uma pesquisa em todo o país para avaliar a indústria do livro nacional.
Infelizmente os dados não são muito satisfatórios12, cerca de 26 milhões de leitores, e  milhões de compradores são das classes B e C. Sendo que 60% têm mais de 30 anos, e 53% são moradores da Região Sudeste. Da população alfabetizada com mais de 14 anos, 30% leu pelo menos um livro nos últimos três meses.
Plínio Martins Filho, presidente da Editora da USP e professor no curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes (ECA), diz que o consumo de livros no Brasil só não é maior por uma questão de hábito. "Uma das causas da falta de hábito é que a leitura tem que disputar espaço com outras formas de entretenimento. As grandes editoras do Brasil surgiram junto com o rádio e a televisão que, de alguma forma, são meios de lazer baratos e de fácil acesso.”
Diante destes diversos fatores lutamos para manter acesa a chama da leitura nas crianças e nos adolescentes, que crescem sem estímulos, sem poderem com isso desvendar um universo desconhecido e maravilhoso que ganha alma, transforma-se em caleidoscópios multifacetados, polivalentes, graças às leituras plurais que constroem.
A escola, porém, não prepara esse leitor. Por que se vai, aos poucos, insinuando, em nossos jovens, o desgosto da leitura? Eis o que nos diz Daniel Pennac:

Ele [o jovem] é um público implacável e excelente. Ele é, desde o começo, o
bom leitor que continuará a ser se os adultos que o circundam alimentarem seu entusiasmo em lugar de pôr à prova sua competência; estimularem seu desejo de aprender, antes de lhe impor o dever de recitar; acompanharem seus esforços, sem se contentarem de pegá-lo na curva; consentirem em perder noites em lugar de ganhar tempo; fizerem vibrar o presente sem brandir a ameaça do futuro; se recusarem em transformar em obrigação aquilo que era prazer, entretanto esse prazer até que ele se transforme em dever, fundindo esse dever na gratuidade de todo aprendizado cultural, fazendo com que encontrem assim, eles próprios, o prazer nessa gratuidade.

O que fazer para mudarmos esta realidade? Depois de tantas lutas para que finalmente, ganhássemos o direito de ler, não sabemos usufruir deste grande direito que conquistamos, ressaltando que saber lê-los com proficiência implica ser capaz de apreender os significados inscritos no seu interior, e de correlacionar tais significados com o conhecimento de mundo que circula no meio social em que ele é produzido.
As formas de apresentação de um texto interferem no seu sentido. As novas tecnologias lhe dão razão, pois a leitura feita na Internet costuma ser descontínua e fragmentada, em um universo confuso e sem forma, contrapondo-se à sobrevivência do códice, o formato de livro que surgiu em torno do século III – com páginas que são viradas, e não desenroladas, como nos rolos de pergaminho que até então conservavam a palavra escrita – e alcançou um público leitor cada vez maior a partir da invenção da imprensa, na década de 1950.
A internet, com sua capacidade inaudita de divulgar textos e imagens, tem sem dúvida o potencial de expandir essa república virtual.
O leitor raramente percebe o sentido do todo, do prazer visual e tátil que se extrai do contato com o simples manuseio de um jornal lhe proporciona. Essa diferença é fundamental, pois torna a leitura de um livro mais profunda e duradoura, faz como que ele preveja a sobrevivência do formato impresso, pois seríamos simplistas ao imaginar que uma nova tecnologia vai substituir completamente e de imediato formas mais antigas, apesar da disseminação dos meios tecnológicos.

1.2 A importância da leitura dentro da sociedade e como ela é formada

A leitura é algo muito amplo, não pode apenas ser considerada como uma interpretação dos signos do alfabeto. Produz sentido, ou seja, surge da vivência de cada um, é posta como prática na compreensão do mundo na qual o sujeito está inserido.
Tal aprendizagem está ligada ao processo de formação geral de um indivíduo e sua capacitação dentro da sociedade, como por exemplo: a atuação política, econômica e cultural, o convívio com a sociedade, seja dentro da família ou no trabalho.
Para os gregos, a leitura é a idéia simples, baseada na decifração dos códigos lingüísticos, sendo o bastante para modificar a estrutura de uma sociedade, o que não corresponde com a realidade. O indivíduo modifica sua visão de mundo através da leitura, não pela sua forma.
Iremos nos basear em duas diferentes formas e níveis de leitura: a leitura sendo apenas uma decodificação mecânica dos signos lingüísticos, abordada pela pedagogia, onde a prática é formal e está apenas ligada às atividades geralmente desenvolvida pelas escolas; e a leitura como um processo de compreensão, que abrange os componentes sociológicos, estudando os aspectos sociais da vida humana, que terá seu foco na transmissão do gosto pela leitura no ambiente familiar.
Há três níveis de leitura: o sensorial emocional e o racional, que estão inter-relacionados, trazendo uma enorme riqueza ao texto.
O nível sensorial é diretamente ligado aos sentidos; o emocional lida com as emoções de cada indivíduo e o racional concentra-se na parte intelectual, dinâmica e questionadora.
Segundo Vieira, o nível sensorial é muito rico podendo ser amplamente explorado no âmbito familiar. Desde a gestação do bebê, a mãe ao embalar a criança com a canção de ninar, já estimula o interesse de ler. Sendo assim, a leitura não é somente o impresso, mas a música, os desenhos, enfim, todos são modos de leitura que podem ser trabalhados em família no aconchego do lar.
O ato da leitura é muito mais do que simplesmente ler um artigo de revista, um livro, um jornal. Ler se tornou uma necessidade, é participar ativamente de uma sociedade, desenvolver a capacidade verbal, descobrir o universo através das palavras, além do fato que ao final de cada leitura nos enriquecemos com novas idéias, experiências.
Através de um livro, milhares de crianças podem descobrir um universo de aventuras, um mundo só seu, repleto de magia que é concedido nas páginas de um livro.
A leitura é uma atividade prazerosa e poderosa, pois desenvolve uma enorme capacidade de criar, traz conhecimentos, promovendo uma nova visão do mundo. O leitor estabelece uma relação dinâmica entre a fantasia, encontrada nos universos dos livros e a realidade encontrada em seu meio social. A criatividade, a imaginação o raciocínio se sobrepõem diante deste magnífico cenário, criando um palco de possibilidades.
Cada leitor ao fazer uma leitura, trava um contato direto com o texto, trazendo para o seu objeto de leitura as suas experiências pessoais, suas ideologias, seus conceitos, é isto que faz o ato de ler tão importante.
O leitor se tornará um co-autor do texto, deixando suas características e impressões, segundo Josef Soares, “cada leitura é uma nova escritura de um texto. O ato de criação não estaria, assim, na escrita, mas na leitura, o verdadeiro produtor não seria o autor, mas o leitor”. Ler não é descobrir o que o autor quis nos dizer, “[...] ao ler, o leitor trabalha produzindo significações e nesse trabalho que ele se constrói leitor. Suas leituras prévias, suas histórias como leitor, estão presentes como condição de seu trabalho de leitura e esse trabalho o constitui como leitor e assim sucessivamente”.
Passamos a reconstruir, por exemplo, quadros complexos, envolvendo personagens, ações, fatos, criamos situações, mundos diversos e particulares, onde cada indivíduo passa ser o mentor da sua própria imaginação.
São várias as qualidades despertadas pelo hábito da leitura nas crianças, como por exemplo, a criatividade à medida que lhe proporciona oportunidades de conhecer alternativas para questões reais e cotidianas. A visão de mundo, o conhecimento de culturas, situações, pessoas e idéias diferentes, tais conceitos nos auxiliariam, por exemplo, no combate ao preconceito, abrindo assim a mente para o diferente.
O vocabulário de uma pessoa que tem o hábito de ler é amplo, pois a aptidão para ler com proficiência é o mais significativo indicador de bom desempenho lingüístico, permitindo ao leitor ter uma quantidade de informações sobre quase todos os domínios do conhecimento, sabendo hierarquizá-las, estabelecendo as devidas correlações entre elas e discernindo as que se implicam das que se excluem, utilizando-as apropriadamente como recursos argumentativos para sustentar suas idéias.
A capacidade de compreensão adquirida pela interpretação é fundamental. No Brasil, o número de analfabetos funcional é alarmante, trata-se daquelas pessoas que sabem ler e escrever, mas que não compreendem o que estão lendo.
O hábito de leitura neste ponto é primordial, pois quanto mais se lê, mais aumenta a capacidade de compreensão do mundo de cada indivíduo, lembrando que isso vale para qualquer tipo de leitura, desde os célebres e clássicos romances como a leitura diária de uma crônica num jornal.
Segundo dados da revista ABC do Educatio, a escola é tida hoje como ponto central na divulgação da leitura/ literatura, no entanto ainda deixam a leitura à deriva, ensinado apenas os comportamentos alfabéticos, ou seja, alfabetiza, mas não desenvolve as condutas necessárias para constituir um leitor.
Outro dos pontos principais que não podemos deixar de citar é a família, pois é através dela que normalmente surge o primeiro contato com a leitura.
Porém, em uma sociedade em que a maioria dos pais trabalha fora, ou não tiveram acesso a leitura, o tempo para dedicar-se à formação de seus filhos como leitores é cada vez menor. Então, resta à escola a responsabilidade de desenvolver esta habilidade em seus alunos, ressaltando que no âmbito escolar, é o seu caráter interdisciplinar o traço de maior relevo, já que interfere decisivamente no aprendizado de todas as demais matérias do currículo.
A escola, dessa forma, toma como prioridade a aprendizagem da leitura, „aprender a ler‟ para, então „ler para aprender‟, quer dizer, apropriar-se de uma competência para compreender os diferentes tipos de textos, existentes no seu contexto social, e também fora dele.
Devemos motivar os alunos para que vislumbrem as diversas e diferentes razões para lermos. Lemos para obter informações, para receber instruções, para obter e aprofundar conhecimentos, para passatempo, por prazer, por gosto, para estabelecer comunicação com outrem, para melhor compreender o meio em que vivemos, para encontrar, à distância, com quem trocar idéias sobre tudo aquilo que pensamos do mundo exterior e interior. Nesse sentido, a leitura tem uma função ao mesmo tempo social e individual. E é neste universo que a criança deverá ser „convidada‟ a se integrar.

Para ler texto completo, acessar http://www.fals.com.br/revela9/Artigo4_ed08.pdf



Danielle Santos de Brito

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